06/02/2012

Líder da greve da PM baiana é do PSDB

Por Altamiro Borges

A greve dos policiais militares da Bahia, iniciada nesta terça-feira (31), chegou ao impasse e pode descarrilar de vez, gerando mais danos à população. Os interlocutores não mostram qualquer disposição para o diálogo. O governador Jaques Wagner se recusa a negociar com os grevistas. Já o comando da paralisação parece contaminado por interesses distantes dos justos anseios da categoria.

Candidato a vereador em 2012?

O presidente da Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia (Aspra), Marcos Prisco, é filiado ao PSDB e já havia manifestado a sua intenção de disputar as eleições deste ano. Em entrevista ao programa Acorda pra Vida, da Rede Tudo FM 102.5, ele negou que a greve da PM tenha motivação eleitoral. “Político eu sou, como todo cidadão, mas o movimento não tem características políticas”.


Ao mesmo tempo, ele não escondeu o seu desejo de concorrer a vereador pelo PSDB. “Se eu for pré-candidato será uma decisão da categoria”, despistou para o ouvinte. Em outras entrevistas, Marcos Prisco tem radicalizado o discurso contra o “governo petista, o pior da história da categoria” – uma baita aberração se comparado com os sombrios anos da oligarquia ACM.

Governador se mostra inflexível 

Diante desta postura e das cenas de barbárie em algumas cidades baianas, inclusive em Salvador, o governador decidiu endurecer no trato da greve. Ele solicitou apoio do governo Dilma, que enviou 3,5 mil soldados do Exército e da Força Nacional de Segurança, e ordenou a prisão de 12 líderes do movimento, acusando-os de vandalismo e de roubo de patrimônio público.

A violenta reação parece que intimidou e dividiu o comando do movimento, que reduziu sua pauta de reivindicações de seis para dois itens. A principal delas, porém, a da anistia para os lideres grevistas, não sensibilizou o governador. Em entrevista ontem (4), Jaques Wagner se mostrou totalmente inflexível. “O pedido de anistia é o salvo conduto para a barbaridade que estão fazendo”.

Risco de “banho de sangue”

Enquanto o impasse prossegue, o medo toma conta da sociedade baiana e deve piorar com a retomada das aulas nesta segunda-feira. Até o final da tarde de domingo, já tinham sido registrados 83 homicídios na região metropolitana de Salvador desde o início da greve, quase o dobro da semana anterior. Há casos estranhos de saques, destruição de lojas e roubos de veículos da polícia.

Fatos mais graves também podem ocorrer nas dependências da Assembléia Legislativa da Bahia, onde cerca de 500 policiais e seus familiares estão acampados. Segundo a Folha, eles estão “armados e dizendo-se dispostos a reagir à bala em caso de invasão... ‘O governo sabe que 99% de nós estamos armados. Se tentarem invadir haverá um banho de sangue’, disse um dos grevistas”.

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