10/02/2012

Poesia inventiva: o que é isso? - Parte 2

Por Emerson Sitta*

     Continua a lista de definições indefinidas de poesia...

A poesia inventiva é um tormento para o seu leitor. Ela o faz mergulhar na sua brutal ignorância ou ascender a uma condição intelectual imensurável.
   
     Dada a sua robusta condição formal, a poesia exige do leitor paciência. Ele deverá investigar a linguagem e desfazer o poema para buscar seu entendimento.

A poesia inventiva é uma tentativa de investigação da realidade.

     É fundamentalmente uma análise, críticas, ponderações, opiniões.

A poesia inventiva fez o homem buscar sua dor de existir, mas não permitiu que ela o dominasse.

     O poeta nunca deixou de lado a emoção, caso contrário não seria um artista. Ele a colocou abaixo ou entre as linhas, para ser encontrada após rigorosa leitura. 
     Ao leitor cabe encontrar a emoção após usar de uma infinidade de ferramentas de leitura. 
     Sem ver a forma, a leitura é uma distração entediante e nada significativa.

A poesia inventiva não diz nada aos que olham e não serve para os que não pensam.

     Para compreender a beleza do poema é preciso pensar.

     Mesmo sobre aqueles poemas que parecem fáceis. Eles foram construídos em cima de uma lógica composicional. Descobri-la e relacioná-la com o entendimento, é uma situação incomum infelizmente. 
     Não seria se houvesse em cada leitor uma disposição para ver a literatura como expressão do mundo por meio da linguagem, e não apenas como uma boa história para passar o tempo.

*Emerson Sitta, 35
Poeta, professor, Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC SP e doutorando em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC SP.
@emersonsitta



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