27/03/2012

PSDB censura TV pública de Goiás


Por Altamiro Borges

Aliados dos barões da mídia, os tucanos adoram posar de defensores da “liberdade de expressão”, que confundem com a liberdade dos monopólios. Mas no seu ninho, eles gostam mesmo é de praticar a censura, cooptar a imprensa via publicidade e pressionar os patrões pela demissão dos jornalistas mais críticos. Goiás é a mais recente prova da distância entre o discurso e prática.

Na sexta-feira passada (23), a TV Brasil Central (TBC), emissora pública controlada pelo PSDB, anunciou o afastamento de Michele Bouson e Marcelo Adriani, os dois apresentadores do Jornal Brasil Central (JBC) 1ª Edição. Eles foram punidos por questionarem a situação caótica da educação em Goiás, fazendo perguntas mais duras à ex-secretária e ex-deputada Raquel Teixeira.

As ordens e a “desobediência”

A entrevista, ao vivo, ocorreu na quinta-feira. Prova da censura prévia que impera na emissora, a diretora de Telerradiodifusão da Agência Goiana de Comunicação (Agecom), Abadia Lima, prometeu que não haveria perguntas sobre a greve dos professores, o que viabilizou a presença da ex-secretária. “Ela deu ordem aos jornalistas para não entrarem no assunto e acompanhou a entrevista no estúdio para inibir qualquer tentativa”, relata a blogueira Fabiana Pulcineli, do jornal goiano O Popular.

Mas o jornalista Marcelo Adriani, cumprindo seu papel, acabou tratando do tema, sem citar expressamente a greve. Perguntou por que havia tanta dificuldade para valorizar a educação. “No dia seguinte, os dois apresentadores foram chamados por Abadia e informados de que estavam fora da função. Segundo relatos de colegas, ela reclamou da ‘desobediência’”, descreve a blogueira.

Acuado, governo recua

O afastamento dos dois profissionais revoltou os trabalhadores da emissora pública. O Sindicato dos Jornalistas de Goiás enviou ofício à Agecom questionando a censura. “Pelos relatos de um dos apresentadores, foi uma ação totalmente condenável”, criticou Cláudio Curado Neto, presidente da entidade. Diante a pressão, ontem (26) a direção da TBC foi obrigada a recuar na punição.

Segundo Fabiana Pulcineli, “a TV Brasil Central decidiu reconduzir os jornalistas Michelle Bouson e Marcelo Adriani depois que o governador Marconi Perillo (PSDB) determinou ‘providências para esclarecer os fatos’”. A notícia sobre o recuo foi confirmada pela entidade da categoria, que participou de negociação com a direção da Agecom e da TBC.

Acuado, o governador tucano ainda tentou contornar o desgaste em seu twitter: “No nosso governo não existe qualquer tipo de censura, perseguição ideológica ou cerceamento de liberdade”, disparou. Caso não houvesse a gritaria, o PSDB recuaria em mais este grave atentado contra a liberdade de expressão?

Matéria abaixo publicada no Brasil 247

Censura em Goiás pega mal e governo revê afastamento




GOVERNADOR MARCONI PERILLO DETERMINOU "PROVIDÊNCIAS PARA ESCLARECER OS FATOS"; PRESIDENTE DA ESTATAL CONVIDOU OS DOIS PROFISSIONAIS AFASTADOS A VOLTAR A APRESENTAR O JORNAL BRASIL CENTRAL 1ª EDIÇÃO E PROMETEU ATÉ GUARDA-ROUPA NOVO

27 de Março de 2012 às 06:02
247 - O afastamento dos jornalistas Michelle Bouson e Marcelo Adriani da apresentação do Jornal Brasil Central 1ª Edição não pegou bem. Os dois apresentadores foram sumariamente afastados de suas funções por abordarem o delicado tema educação durante entrevista com a ex-deputada Raquel Teixeira, que também já foi secretária da Educação. Diante da repercussão ruim da decisão, o governo de Goiás resolveu voltar atrás. Leia detalhes na reportagem de Fabiana Pulcineli, de O Popular:
Jornalistas da TBC são reconduzidos
A TV Brasil Central decidiu reconduzir os jornalistas Michelle Bouson e Marcelo Adriani à apresentação do Jornal Brasil Central (JBC) 1ª Edição, depois que o governador Marconi Perillo (PSDB) determinou "providências para esclarecer os fatos". O blog mostrou na sexta-feira que os dois foram afastados da função depois de fazer perguntas sobre Educação à ex-secretária (de Educação) e ex-deputada federal Raquel Teixeira.
A informação sobre a decisão da Agecom foi repassada pelo presidente do Sindicato de Jornalistas do Estado de Goiás, Cláudio Curado Neto, que participou de reunião com o presidente da Agência Goiana de Comunicação (Agecom), José Luiz Bittencourt, a diretora de Teleradiodifusão, Abadia Lima, Michelle e dois representantes dos servidores da agência.
Segundo Cláudio, José Luiz reafirmou que a entrevistada ficou constrangida com as perguntas, mas disse que nunca pensou em censura. Ao fazer o convite para o retorno dos dois apresentadores a partir de segunda-feira, o presidente da estatal acrescentou que adquiriu guarda-roupa para os profissionais, que antes usavam roupas próprias.
Michelle topou voltar. Marcelo não participou da reunião por conta de problema de saúde na família, mas também estaria disposto a retornar à função.
Cláudio considerou que prevaleceu o bom-senso na decisão. "A habilidade que faltou no início do processo houve agora para encerrá-lo", disse, acrescentando que pediu aos servidores para ser informado em caso de novos atos semelhantes.
No início da tarde, depois da repercussão negativa e da publicação da notícia no Blog do Noblat, Marconi tuitou que não existe censura em seu governo: "Determinei ao presidente da Agecom que tome as providências para esclarecer os fatos sobre entrevista na TBC. O presidente da Agecom vai se reunir hoje com o Sindicato dos Jornalistas, os profissionais e a direção da TBC para superar o episódio. No nosso governo não existe qualquer tipo de censura, perseguição ideológica ou cerceamento de liberdade", disse o governador.




Follow Me on Pinterest

0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.