03/04/2012

Blogueiros perdem ação contra o Huffington Post e acendem discussão sobre jornalismo colaborativo

Por  Christina Lima
Os planos para uma versão em português do Huffington Post, anunciada para novembro do ano passado, ainda não se concretizaram, mas os blogueiros brasileiros que sonhavam em, além de compartilhar do prestígio de colaborar com o HuffPo, abocanhar algum tipo de compensação financeira pelo trabalho, podem tirar seus laptops da chuva.

Na sexta-feira, 30 de março, a AOL, que comprou o agregador de notícias por U$ 315 milhões, (relembre a venda) ganhou uma ação judicial impetrada por 9 mil blogueiros liderados por Jonathan Tasini, jornalista freelance que em 5 anos contribuiu com mais de 200 textos. O grupo reivindicou U$ 105 milhões, ou seja, um terço do negócio fechado em fevereiro de 2011.
Como o grande sucesso do site em parte se baseou em contribuições gratuitas para atrair tráfego, os blogueiros alegaram que seus trabalhos são responsáveis por grande parte do valor do site e que o acordo permitiu que Arianna Huffington lucrasse alto à custa dos colaboradores.

O juiz John Koeltl, de Nova York, entretanto, rejeitou as alegações. Para ele, ninguém foi forçado a fornecer repetidamente seu trabalho quando não havia expectativa de pagamento, e completou: "Os blogueiros conseguiram o que esperavam quando suas obras foram publicadas."

Da decisão não cabe recurso, mas o advogado dos blogueiros, Jeff Kurzon, disse que está "Revendo o caso e considerando opções". Já o porta-voz da AOL, Mario Ruiz, preferiu não fazer comentários.

No ano passado, ao saber da ação, Arianna comentou em nota: "Os blogueiros usam nossa plataforma para se conectar e para ajudar a disseminar suas ideias e pontos de vista para o maior número de pessoas possível. Eles, inclusive, podem publicar seus textos em outros sites, incluindo suas próprias páginas".

Apesar da derrota no tribunal, para Jonathan Tasini o processo serviu para desencadear um esforço de organização entre blogueiros a fim de definir um padrão para o futuro. "Essa ideia de que todos os criadores individuais devem trabalhar de graça é como um câncer se espalhando por todas as companhias de mídia no mundo", declarou.

Resta a discussão se os blogueiros estão sendo explorados ao trabalhar de forma voluntária em troca de exposição em um portal multimilionário ou se as regras do jogo estão aí para serem aceitas, ou não.


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