16/04/2012

Poesia inventiva: o que é isso? - Parte 3


Por Emerson Sitta*

Continua a lista de definições indefinidas de poesia... 
A poesia inventiva não nos faz pensar por força do entendimento, mas por força do nosso hábito de saber sobre o mundo.

A poesia é uma tentativa de sobreviver. Sempre perdemos na vida, mas a poesia nos faz crer que podemos ter e ainda compreender tudo o que quisermos. Por isso, nunca paramos de reinventá-la.


A poesia inventiva é um fato consumado. Nada nela pode se transformar, apenas a maneira de ver a própria poesia.

Se a poesia não for vista como forma, a vida deixará de ser vida. Quando consumado, o poema nunca se altera, o que se transforma é o poder de relações e interpretações conforme o amadurecimento do conhecimento da própria vida e de uma série interminável de teorias.

A poesia inventiva faz crer o homem no próprio homem, pois ela o cerca de saídas e entradas. Está o homem diante de múltiplas possibilidades. A poesia inventiva é libertadora.

Libertadora porque abastece o homem de reflexões acerca de sua evolução e, ainda, questiona suas reações diante do improvável e do mistério.

A poesia inventiva é um fruto seco e oleoso. É necessário parcimônia para degustá-lo.

A afobação é o demônio da insatisfação humana. A poesia inventiva nos alerta que viver a mil é entregar-se aos desejos do mal.

É livre o homem que é apaixonado pela poesia. É irremediavelmente livre o homem que compreende a forma poética.

Sem compreensão da forma, a utilidade da poesia é comprometida. Sua utilidade é nos fazer crer que somos melhores do que isto tudo que fizemos.

*Emerson Sitta, 34
Poeta, professor, Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC SP e doutorando em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC SP.
@emersonsitta



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