06/05/2012

A noite dos conceitos antagônicos

Por Diego Pignones
Os tuitaços contra a Revista Veja estão mexendo com a internet como um todo. Já que o movimento não encontra cobertura nas mídias de massa, ele repercute na blogosfera e nas demais redes sociais.

Como pesquisador, é muito interessante analisar o discurso apresentado em peças televisivas e o discurso apresentado nos meios digitais.

Partidos de direita se apresentam na televisão como acadêmicos, cultos e detentores de argumentos. Porém, em blogs e redes sociais, seus correligionários são os que apelam para palavras de baixo calão, partem para ignorância e não estão dispostos a debater. Ou seja, tudo o que a direita fala sobre a esquerda, ela mesma, a direita, faz.


Sem mencionar a absurda hibridização de vocábulos que geram significados anormais e incoerentes. Fascistopetista, Comunonazista, Nazipetista, Lulofascismo, e por aí vai. Vocábulos cuja composição ou hibridização de palavras fariam Stálin, Hitler e Mussolini voltarem a vagar pela terra para acabar com esses absurdos gramaticais.

Não consigo compreender como pode alguém culto cometer tamanha gafe (me puxei no eufemismo) gramatical e muitas vezes cola.

Vamos esclarecer, mas sem entrar muito a fundo em conceitos e teorias tipo as dicotomias de Saussure (significante e significado):

O vocábulo ‘comunista’ significa algo. Já o verbete ‘nazista’, tem seu significado. No entanto, os significados de cada um impede sua fusão. Para ilustrar melhor a piada, seria como tentar cruzar um cachorro com uma gata e esperar a cria ‘canifelina’ nascer. Alguns podem afirmar que é possível hibridizar os absurdos mencionando que a égua deu pro tigre e saiu a zebra.

Ah, pois é! Mas não dá.

Se vamos ajeitar conceitos para o quadrado caber dentro do círculo, entramos nas chamadas teorias da conspiração. As teorias conspiratórias se formam quando há um fato, uma causa aparente e um provável desfecho que se encaixaria perfeitamente, porém mediante ajustes.

Divagações a parte.

Esses termos inventados em revistas, vlogs, blogs e nas próprias redes sociais têm como único intuito impactar e manipular a audiência leitora axilar (vulgo leitor de sovaco, aquele que corre as vistas sobre um texto, não lê, mas diz que leu).


Quando tem tuitaço contra a Veja, sei que pela direita se aproxima mais uma noite dos conceitos antagônicos. E é preocupante, ver que em muitas pessoas a manipulação dos vocábulos híbridos funciona e os coitados os reproduzem com tamanha convicção e afinco que até pode colar para outros indivíduos.
Indivíduos estes que recentemente desenterraram o aparelho montado pelo guru indiano da internet, aquele da campanha eleitoral de 2010, para trollar e manipular estatísticas e ‘trends’ como ocorrido no tuitaço da #VejaGolpista.

Mas, o mais intrigante é ver os argumentos e atuações desesperadas das mídias oligárquicas em defesa desta publicação. Seus laços espúrios com o bicheiro Cachoeira para acabar com reputações já estão comprovados em documentos da CPI que estão sendo amplamente divulgados em blogs e sites. A situação da revista está tão feia que nesta semana teremos uma Carta Capital que em minha modesta opinião deve entrar para a história da comunicação social. A capa da Carta Capital traz uma capa de sua principal concorrente e seu proprietário. Ou seja, a Carta Capital ao utilizar-se da metalinguagem inovou e rompeu paradigmas ao fazer uma metarevista que destaca o concorrente na capa.

Enquanto não rola a CPI, resta esperar pela próxima noite dos conceitos antagônicos para analisar a verborreia de blogueiros (agitadores de apartamento) da Veja e da Globo.

Às vezes acho irônico que em plena Era da Informação, termos pessoas que sofrem de restrição de informação. Mas convenhamos, a restrição de informação é a burrice controlada e a obsolescência programada do cérebro pelas oligarquias da mídia nacional.

Anotação na Margem:
- Enquanto finalizo este texto, rola no Twitter mais um protesto contra a Veja o #VejaPodreNoAr e, aparentemente, o aparelho do guru indiano foi reativado mais uma vez no estado de São Paulo.
Diego Pignones
Publicitário e pesquisador em Comunicação Social.
Twitter: @diegopignones


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