09/07/2012

O golpe na visão dos tucanos


Sexta-feira (06/07) o senador Álvaro Dias visitou o ‘presidente’ golpista Federico Franco em Assunção. Aproveitando a oportunidade, o senador afirmou que o PSDB planeja entrar com uma ADIn (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão do governo federal do Brasil de apoiar a entrada da Venezuela no MERCOSUL e suspender os Paraguay do bloco continental. “Se os advogados do PSDB considerarem que é possível, vamos ao Supremo, pois o nosso partido repudia o fato de alguns países não reconhecerem a posição majoritária do parlamento paraguaio, referendada pela Suprema Corte, e também as sanções que representam uma afronta à soberania do país", comentou Dias.


A agenda do senador em Assunção contou com uma reunião com membros da Câmara dos Senadores do Paraguay. Nesta ocasião, Dias reiterou o apoio ao processo de ‘impeachment’ que destituiu Fernando Lugo da presidência e criticou a decisão do MERCOSUL que suspendeu os paraguaios do bloco econômico. Além de reduzir o debate ao destacar que o Paraguay era o único país do bloco que era contra a entrada da Venezuela e que, devido à suspensão, não participou da decisão que aprovou a inclusão dos venezuelanos. Em nota publicada em seu site, o senador Alvaro Dias analisa que o processo de ‘impeachment’ de Lugo transcorreu de “forma transparente, legal, constitucional” e, por esse motivo, não há nenhuma razão para que os “outros países do continente se insurjam contra uma decisão de uma nação independente e soberana”.

Mas, porém, contudo, no entanto, entretanto...

Um despacho secreto da embaixada ianque em Assunção, destinado ao Departamento de Estado, em Washington, traz a informação em 28 de março de 2009, que a direita paraguaia organizaria um ‘golpe democrático’ no Legislativo para derrubar Fernando Lugo. O teatro da mentira, reproduzida exaustivamente pela mídia como impeachment, foi encampado em 22 de junho.

O documento da representação diplomática americana, divulgado pelo WikiLeaks em 30-08-2011 (clique aqui para acessar o documento) demonstra o passo-a-passo do plano para destituir Lugo e colocar o vice-presidente, Federico Franco. O texto enviado aos Estados Unidos além de informar, faz alguns alertas. Argumenta que a conjuntura política ainda não era propícia para um Golpe de Estado. Além de explicitar quem são as lideranças do atentado contra a democracia paraguaia: o general Lino Oviedo e o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos.


Lino Oviedo é defensor do agronegócio brasileiro no Paraguai e é agente de pressão sobre a Presidenta Dilma pelo reconhecimento público da legitimidade do governo de Federico Franco, que é igualmente simpatizante do setor. Oviedo é militar com fetichismo pelo golpismo. Nos anos 2000, após fracassar na tentativa de golpe contra o então presidente Juan Wasmosy, fugiu para o Brasil onde ingressou ilegalmente pela fronteira, e depois teve sua extradição negada e pedido de asilo político aceito pelo STF.


Nicanor Duarte Frutos foi o presidente que em seu governo (2003-2008) permitiu a entrada de tropas norte-americanas em solo paraguaio para exercícios militares em conjunto com as forças locais. Frutos, também deu permissão aos EUA para construir uma base militar na zona da Tríplice Fronteira (Paraguai, Brasil e Argentina), com uma enorme pista de pouso, supostamente para combater narcotráfico e as atividades do terrorismo islâmico que o governo Bush afirmava que ocorriam nesta região. Na época, estas decisões de Frutos foram duramente criticadas pelos países sul-americanos. Naquela sexta-feira fatídica, os EUA foram o primeiro país a reconhecer o governo golpista. Então, cai por terra o discurso de país que divulga e defende a democracia a todo custo no mundo, pois, seu governo estava informado sobre a conspiração há três anos e nada fez pela defesa da democracia paraguaia. Ainda naquela sexta, a secretária Hillary Clinton recuou na posição oficial. Esse movimento pode ser interpretado como um recuo estratégico para não se opor à condenação imediata do “Golpe de Estado democrático” feita pela maioria da América Latina e blocos como a Unasul e MERCOSUL.
A importância dos documentos vazados pelo Wikileaks se dá ao explicitar as lideranças por trás da conspiração, demonstra a posição de Washington e defende os países do MERCOSUL em sua decisão de suspender o Paraguai como membro do bloco. Suspensão que deverá se estender na Unasul.
Além de demonstrarem que Washington e Obama não são, e jamais serão favoráveis à democracia e que a imprensa tupiniquim está alinhada com o governo dos EUA.
Diante de tudo isso: participação de golpistas, o processo de Golpe de Estado rolando desde 2009, a participação de Lino Oviedo, ainda querem dizer que foi um processo legal e constitucional?
Imprensa informe o povo e seja transparente.
Golpe é golpe.
Em Assunção foi um golpe. E um partido brasileiro não pode contrariar uma decisão tomada por um bloco continental.
Vada a bordo, cazzo!
Vaffanculo!
Anotação na Margem:

- Segundo informações do Opera Mundi representantes do Pentágono visitaram o Paraguai dias após a destituição de Fernando Lugo e Deputado paraguaio negocia instalação de base militar norte-americana.


- Se for possível entrar com a Ação Direta de Inconstitucionalidade, arriscando, minha intuição indica Gilmar Mendes para o julgamento da ADIn, não sei por que (pronto, explodi mais um detector de ironia).
Escrito por Diego Pignones
Publicitário e pesquisador em Comunicação Social.
Twitter: @diegopignones

0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.