24/07/2012

Os novos defensores da censura


Por Diego Pignones
Tá rolando no Facebook uma campanha pela “não à propaganda política no Facebook”.

Primeiramente, vamos analisar alguns fatos:
- Esta será a primeira vez que o Facebook será utilizado de maneira maciça para angariar votos;
- Há dois anos, tal estratégia ainda pertencia ao Orkut, ao Twitter e aos blogs de campanha;
- A internet é um meio de comunicação;
- As redes sociais são suportes de comunicação gratuitos aos seus usuários. Mas, lucram vendendo espaços publicitários para anunciantes;
- Cada conta/usuário é um veículo de comunicação, pois veicula mensagens/opiniões.


Desse modo, podemos concluir que as redes sociais são mídia, já que vendem espaços publicitários, são suportes de comunicação e cada conta/usuário é um veículo de comunicação.
Ou será que ainda existem ingênuos que pensam que o Facebook é um boteco virtual criado por Markito Zuckerberg para nos divertirmos de graça sem que ele lucre um puto centavo?

As redes sociais são o instrumento de comunicação mais democrático que existe, uma vez que basta que o usuário se cadastre e comece a veicular conteúdo. Desde de que entrei no Facebook tenho visto mensagens compartilhadas que não fazem parte de meu ideário, credo ou gosto pessoal, mas nem por isso lancei indiretas ou agredi textualmente a pessoa porque ela é livre pra se manifestar.

Afinal, é a liberdade de expressão.

Compartilhar mensagens cujo conteúdo seja o de cercear a liberdade de expressão é concordar com a censura. Então, a esses novos defensores da censura digo:

Não adianta postarem conteúdo a favor da liberdade de imprensa ou da liberdade de expressão, se compartilham ou já compartilharam imagens contra a propaganda eleitoral no Facebook.

Mas qual seria o argumento de quem esta compartilhando a mensagem contra a propaganda política/eleitoral no Facebook?

Propaganda indesejada.

Então, os novos defensores da censura no Facebook nunca receberam um e-mail sobre aumento de pênis, pacotes de viagens, sites de compras coletivas, enfim, um spam?

Também nunca receberam ligações de uma central de telemarketing? Nunca receberam filipetas ou encartes de supermercados em suas caixas de correspondência?

Será que fazem parte do seleto grupo que ainda pensa que o que sustenta um jornal ou revista são os assinantes ao invés de a publicidade?

Quanto menos falarmos de política e enquanto existirem pessoas ‘midiotizadas’ compartilhando conteúdos que visam à censura política, mais filhos da puta-corruptos-falcatruas são eleitos.

Mas até agora não entendi uma questão: A Europa sempre é utilizada como exemplo de povo politizado, mas o que há de errado em ser politizado no Brasil?

Diego Pignones
Publicitário e pesquisador em Comunicação Social.
Twitter: @diegopignones


3 comentários:

  1. Só digo que não vai ser fácil. Assim como não é fácil tudo que essas mídias trazem em demasia: narcisismo, carência, super-poderes...mas to pagando pra ver. Fácil não vai ser, penso que será interessante.

    Cledyani

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza não será fácil, mas o primeiro passo será coimpartilharmos e debatermos essas informações, caso contrário, estaremos sujeitos à supremacia da superficialidade compartilhada no FB. E isso não me parece democrático, não é mesmo?

      Excluir
  2. É só desfazer a mizade com quem posta propaganda política no face. Pois, horário política tem horário e a gente desliga o rádio e a televisão ou não,agora a gente não poder nem abrir o face por causa de propaganda política 25 horas por dia é melhor não ter face.

    ResponderExcluir

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.