05/02/2013

Poema inclinado para uma época

A moda,
as marcas,
os carros,
as fábricas:
tudo tende
a alguma coisa.
Qual seja,
nos fazer desejar
a nova tendência
que nos faz desejar
a nova tendência...
Das velhas inclinações,
todos querem se afastar.
A tendência da cidade é o caos;
a tendência do capitalismo são as crises;
a tendência do emprego é o desequilíbrio;
a tendência da violência são as violências;
bem como a tendência do ser humano é revidar,
criando mais caos, crises, desequilíbrio, violências, revides;
ainda que em aparência,
no asfalto da obsolescência,
tudo queira ser normal.
A certeza do abismo é a queda e
a tendência da beirada é o empurrão.
Um suicídio com mãos alheias
sussurra nos ouvidos desatentos:
já não há mais direção!
Já não se pode fazer poema
sem qualquer tipo de interrupção.
A vida não é mais contínua e
a luta não é mais opção.

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