21/02/2013

Tristeza e história - As rapidinhas do Sr Comunica

Nos últimos dias, muitos acontecimentos tristes se tornaram históricos e ainda serão relembrados durante longo tempo. Um deles foi o suicídio de Carlos Alexandre Azevedo, que tocou fundo numa imensa ferida de toda a sociedade brasileira. Até mesmo os mais reacionários e conservadores se calaram, quando o horror e a barbárie da ditadura militar brasileira ter torturado um garoto de apenas 1 ano e 8 meses, jorrou de volta em suas caras dissimuladas.

Outro triste acontecimento, menos trágico, mas que também marcará a história deste país, é a derrota da Falha de São Paulo para o jornal conservador e reacionário da Folha de São Paulo. A Folha, que não só apoiou a ditadura como também chegou a emprestar seus carros de reportagem para os torturadores, venceu um site humorístico que fazia paródias das notícias do jornalão.

Há quase 100 anos, Barão de Itararé satirizou o jornal “A Manhã” criando a “A Manha”. De lá pra cá dezenas de outros casos, no Brasil e no exterior, foram na mesma linha – lembra da “Bundas” de Ziraldo, que parodiava a “Caras”? E, desde os tempos do Barão de Itararé, ninguém censurou ninguém. Mas aí vieram os barões de Limeira - publicado por Lino Bocchini.

A mesma advogada que derrubou a obrigatoriedade do diploma jornalístico, além de contínua defensora dos grandes barões do oligopólio midiático no Brasil, também assinou o processo que congelou o site da Falha. Porém, desta vez, teve uma posição diversa da que teve outrora.

A própria advogada Taís Gasparian, que assina o processo de 88 páginas contra nós (irmãos Mário e Lino Bocchini), em 2009, fez outra avaliação. Ao defender José Simão contra um processo que tentava censurá-lo, escreveu: “tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”. Assinamos embaixo - publicado por Lino Bocchini.

Tanto pela história de vida e morte de Carlos Alexandre Azevedo, como pela censura estúpida aplicada ao site Falha de São Paulo, desejo que neste país nada mais seja alvo de censura, de silêncio. Chega de colocarmos nossa história, nosso povo e nossa voz debaixo do tapete. 

Importante frisar que estes tristes eventos ocorrem no mesmo período onde uma jornalista e blogueira estrangeira promove um espetáculo por todo o país, sendo aplaudida, apoiada e acompanhada de perto por estes mesmos barões da mídia nacional, pela elite financeira, reacionários e conservadores brasileiros. Todos dissimulando coragem, com seus gritos contra a ditadura cubana, em nome da liberdade de expressão, mas incapazes de olhar para a ditadura brasileira, que dentre tantos mortos e torturados, chegou a espancar e dar choques em uma criança de 1 ano e 8 meses de idade. Incapazes de pedir e lutar para que todos os ditadores brasileiros sejam julgados e presos por crimes que cometeram contra toda a sociedade. Incapazes de lutar pelo direito de se fazer humor político e inteligente com um jornal que até hoje insiste em chamar a ditadura de "ditabranda". Essa mesma gente que defende os péssimos humoristas brasileiros que fazem piadas ofendendo as vítimas de toda uma sociedade, protegendo seus carrascos. É um momento histórico sim, para que nada disso continue a se repetir nesse país.

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