09/04/2013

Partido de Feliciano já fala em presidência da República para 2014

Partido de Feliciano já fala em presidência da República para 2014

Embalado na polêmica em torno do deputado pastor Marco Feliciano (SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, o PSC ganhou visibilidade e faz planos para sair da sombra de seu maior aliado, o PMDB. Tradicional coadjuvante nas alianças capitaneadas pelos peemedebistas, o PSC já fala em lançar candidato próprio à sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2014.

A candidatura faz parte da estratégia do partido de ampliar as bancadas federais e eleger, pelo menos, um governador. Internamente, Feliciano e o vice-presidente e homem forte do PSC, pastor Everaldo Pereira, disputam a vaga de candidato.


“A decisão é que teremos candidatura própria à presidência da República”, afirma Everaldo. “Ser inteligente é fazer o que outros inteligentes fizeram. E o PT foi inteligente em fazer o Lula ser candidato à Presidência três vezes, antes de ganhar a eleição”, completa. Cauteloso, ele desconversa ao ser questionado sobre a própria candidatura: “Sou soldado do PSC, que é um partido democrático. Todos os que quiserem podem disputar”.

Embora o nome de Everaldo seja referendado pelas principais lideranças, Marco Feliciano, acusado de racismo e homofobia, também colocou seu nome à disposição do partido. Em uma reunião de presidentes de diretórios em Salvador no ano passado, ele se entusiasmou. Declarou que conhece bem o Brasil, já que percorre todo o País em suas pregações a milhares de pessoas. Por isso, teria condições de impulsionar a candidatura. Recentemente, seus apoiadores passaram a estimular a ideia nas redes sociais.

‘Votação estrondosa’. Mesmo assim, aliados e companheiros de partido defendem que o deputado aproveite o destaque e volte à Câmara com uma votação estrondosa. “Do jeito que conheço o meio evangélico, o Feliciano se elege com mais de um milhão de votos no ano que vem e traz com ele uns três deputados”, diz o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

A pretensão do PSC em ter candidatura própria é calcada na trajetória do partido que, em uma década, passou de uma sigla nanica a emergente. Com apenas um deputado federal em 2003, o PSC começou a crescer depois que o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ) resolveu usar a sigla como satélite de uma eventual candidatura sua à Presidência da República, em 2006.

Com a ajuda do pastor Everaldo, subchefe da Casa Civil do governo fluminense, Garotinho, então filiado ao PMDB, insuflou o crescimento do partido, que ganhou a adesão em massa de fiéis da Assembleia de Deus. Como resultado, a sigla elegeu nove deputados federais, dos quais sete eram evangélicos. Em 2010, o número praticamente dobrou: foram eleitos 17 deputados, dos quais oito são evangélicos. O PSC também elegeu o primeiro senador, Eduardo Amorim (SE), hoje líder nas pesquisas de intenção de voto ao governo do Estado.

Em 2012, o deputado Ratinho Júnior (PSC-PR), um dos expoentes da legenda, foi ao segundo turno na corrida para a Prefeitura de Curitiba, excluindo do páreo o então prefeito, Luciano Ducci (PSB).

Verba em ascensão. A escalada do PSC também se traduz em cifrões. O fundo partidário do PSC aumentou 800 vezes nesses dez anos. Em 2003, com apenas um deputado, o partido recebia R$ 12,7 mil em recursos federais. No ano passado, entraram para os cofres da legenda R$ 10,7 milhões. Hoje, o PSC conta com 380 mil filiados.

A eventual candidatura presidencial valorizaria, ainda mais, o passe do partido que foi alvo de acirrada disputa entre PT e PSDB nas eleições de 2010. Em maio daquele ano, os dirigentes nacionais do PSC declararam apoio a José Serra (PSDB). Mas na reta final da formação das coligações, depois que o então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, e o deputado Eduardo Cunha entraram em campo, o PSC recuou e aderiu à candidatura de Dilma, confiando o seu tempo de televisão aos petistas.

“Estamos em fase de transição para um partido de médio porte, buscando mais expressão nacional”, diz o líder da bancada, deputado André Moura (SE).

Embora a maioria da bancada seja egressa da Assembleia de Deus, lideranças da sigla refutam a pecha de partido evangélico. “O PSC não é um partido religioso, de igreja A, B ou C. Há deputados espíritas, evangélicos, católicos”, diz Everaldo, que, no entanto, entremeia todas as suas falas com citações bíblicas. Desde 2006, Everaldo e Garotinho estão rompidos. Na época, o PMDB apoiou a reeleição do ex-presidente Lula e impediu a candidatura do ex-governador.
(Publicado por Anonymous)

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