29/05/2013

Copa do Mundo no Brasil violou vários direitos humanos, diz representantes da ONU

Segundo a ANCOP, 200 mil pessoas já foram despejadas devido aos eventos

Nessa terça-feira (28), representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil denunciaram graves violações aos direitos humanos que são cometidos devido a preparação e obras do país para a Copa do Mundo FIFA no próximo ano. A intenção dos representantes é que a ONU use a sua força simbólica e influencie governos estrangeiros para que se faça uma pressão sobre Brasília para que se pare as obras que estão criando ‘avassaladoras consequências sociais’.

A reunião ocorreu durante a 23ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra (Suíça), e tem como meta chamar a atenção internacional para o fato de que a Copa de 2014 não será apenas a festa que muitos estrangeiros esperam encontrar no Brasil.

O debate mostrou ao mundo os ‘deslocamentos forçados de comunidades, destruição de patrimônio cultural, supressão de direitos de idosos e estudantes, abusos policiais cometidos em prol da segurança e uma longa lista de outras violações semelhantes em decorrência de megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas a serem realizados no Brasil’ considerou um dos representantes.

Na opinião da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP), remoções forçadas têm sido ‘o grande drama das famílias brasileiras desde o início das obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas’. A entidade estima que ‘ao menos 200 mil pessoas já passaram por despejos relacionados aos eventos, o que corresponde a quase um em cada mil brasileiros”.

‘ O Brasil injetou recursos multi bilionários em infraestrutura para dois mega eventos esportivos: a Copa e a Olimpíada. As obras exigem mudanças urbanísticas, logísticas e humanas. Mas quem ganha e quem perde com esse rearranjo monumental?’, questiona Juana Kweitel, diretora de Programas da Conectas (grupo de defesa dos direitos humanos).

‘No momento em que se abre espaço para fazer infraestrutura sobre espaços antes ocupados por estas comunidades, se despeja estas comunidades sem nenhuma forma de reassentamento e com valores muito pequenos de compensação financeira (…) Ou mesmo quando se propõe o reassentamento para estas pessoas, o fazem na periferia a 30 quilômetros do local aonde elas viviam”, afirma Raquel Rolnik, relatora Especial da ONU sobre o direito a Moradia Adequada.

A ANCOP espera ainda que ‘a comunidade internacional recomende ao governo brasileiro a paralisação imediata das remoções forçadas e, em parceria com as comunidades afetadas, crie um plano nacional de reparações e um protocolo que garanta os direitos humanos em caso de despejos causadas por grandes eventos e projetos’.

(Por Anonymous)

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