20/05/2013

Desgovernismo


A gritaria da imprensa corporativa contra a chamada MP dos Portos é, de novo, hipócrita. Os analistas vivem trombeteando a suposta inabilidade da articulação parlamentar do governo, mas agora reclamam que ela cumpriu suas funções. Criticam a paralisia legislativa, mas acham absurdo quando alguém consegue rompê-la para aprovar um projeto relevante. E, acima de tudo, engolem as tratoragens de certas coligações locais (ah, a Assembléia paulista!) para repudiar um procedimento que passou por quatro meses de discussão.

A ladainha do “fisiologismo sem resultados” desapareceu das análises assim que os tais resultados se confirmaram. Fisiologismo bem-sucedido remete a governabilidade, que por sua vez lembra o papel do Legislativo na condução das necessárias reformas institucionais, e aí a polêmica termina, porque nenhum colunista é bobo de se meter nesse redemoinho. Não à toa, o público permanece alheio ao teor da medida aprovada, e especialmente ao pesado jogo de interesses empresariais que a envolve. Por exemplo, a influência do pré-sal na abertura dos portos.

Já a atitude dos partidos oposicionistas não vale um perdigoto de credibilidade. Como é possível conceber a direita neoliberal e as bancadas empresariais se opondo a um projeto de viés liberalizante? Capitalistas de carteirinha combatendo medidas que aprimoram o escoamento da produção? E por que precisariam de ainda mais tempo em suas deliberações? Para alongar os “debates” com os lobistas da área? Sei.

No fundo, em uníssono com a crônica dos grandes veículos, PSDB e congêneres apostaram no quanto-pior-melhor, na inação generalizada, nas chantagens e traições que atravancam o programa administrativo endossado pelas urnas. São capazes de trair suas próprias bases programáticas, apenas para impor uma derrota ao governo. O país que se esfole.

(Publicado por Guilherme Scalzilli )

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