29/05/2013

Suicídio de conservador impulsiona grupos da extrema direita

Suicídio de conservador impulsiona grupos da extrema direita 

No dia 21 de Maio, cerca de 1500 turistas assistiram boquiabertos ao suicídio de Dominique Venner, intelectual de relativa importância para a extrema direita francesa. Às quatro horas da tarde, Dominique caminhou até o altar da catedral de Notre Dame e deu um tiro na própria cabeça. O jornalista e historiador explicou em carta endereçada a seus amigos da Radio Courtoisie que seu suicídio era uma rebelião contra os desejos de indivíduos em destruir os patrimônios fundamentais da identidade francesa.

No último texto postado em seu blog, poucas horas antes do fatídico gesto, o historiador deixou registrada sua admiração pelos seguidos protestos contra a lei que deu aos homossexuais o direito de se casarem. Conhecido pelas posições, para dizer o mínimo, controversas, Dominique, mesmo que simpatizasse com os protestos mencionados, afirmou que eles não seriam suficientes para evitar o que chamou de substituição da população da França e da Europa pela imigração e destruição dos valores tradicionais: “ Nós entramos em um tempo onde palavras precisam ser amparadas por ações.”

O gesto foi naturalmente capitalizado pela extrema direita que viu na ação uma comprovação da profunda decadência que a França a Europa passam por conta da imigração africana e islâmica e a deterioração do conjunto de valores tradicionais da sociedade milenar (por que não dizer?) ariana. Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, julgou o gesto como um despertar para o povo da França, saudando seu conteúdo político e proclamando a urgência de uma ação para impedir a degradação da identidade do país.

Autor de dezenas de livros, a grande maioria dedicada a momentos decisivos da história francesa no século XIX, Dominique era também editor da La Nouvelle Revue d'histoire, formada majoritariamente por historiadores vinculados à Nova Direita e ao nacionalismo europeu. Apesar do prêmio Broquette-Gonin, em 1981, Dominique jamais conseguiu o reconhecimento que julgava merecer da Academia. Talvez tivesse esperança que o gesto dramático catapultasse seu nome e suas ideias. O mais provável, no entanto, é que seja lembrado como mais um entre vários dos eventos bizarros e desesperado de uma direita que cada vez mais incoerente.

(Publicado por Revista de História)

0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.