20/06/2013

500 anos sem passe livre pela democracia - Brasil!


O sentimento geral e descontente com a política não é exclusividade do Brasil. O mundo todo sofre com um grave problema de representação. Aliás, as frustrações também dizem respeito a um sistema, conhecido por capitalismo globalizado, que acentua pobreza, fome, doença, desequilíbrio e assim por diante.

Nítido também é que em alguns países do mundo, a população sabe dialogar melhor com os grupos de poder, através de manifestações na rua, organizando grupos minoritários que minimizam as diferenças, etc. Há ainda outros países em que a população compreende que o seu bem-estar significa também e necessariamente o de todos os outros.


Nós, que cá estamos, fomos secularmente educados através de sistemas repressivos e mortíferos. Estima-se que nos primeiros trezentos anos de Brasil foram dizimados cerca de quatro milhões de índios. Escravos trazidos pela força da África, não porque fossem melhores que os índios, mas por serem mais domesticáveis em terras desconhecidas, também eram humilhados, mortos, estuprados, surrados e impedidos de serem humanos, de exercerem sua cultura.

Há também relatos de escravos que, refugiados em quilombos, vez ou outra também estupravam índias, espancavam. Índios e negros tinham suas almas sumariamente pisoteadas até que demonstrassem engolir a religião católica. Era a utopia ibérica na latino-américa, tentando construir um paraíso religioso cá entre nós.

Nos séculos XIX e XX, continuamos a colecionar histórias absurdas de extrativismo comercial, enriquecimento ilícito, repressão, genocídio, desigualdade social, deseducação, despolitização e domínio. Pouco importa se a elite financeira tupiniquim tinha uma fazenda cafeeira, uma indústria de tecido, um jornal ou uma plantação de soja, pois sempre trabalhou pelos mesmos interesses e quase sempre desprovida de escrúpulos.

Alternando períodos de democracia e de ditadura, com algumas diferenças questionáveis, o Brasil foi tentando crescer, em todos os sentidos. Grupos de poder nacionais e internacionais dedicaram anos de investimento em sabotagem inteligente e violenta para dinamitar esse crescimento. Conseguiram muitas coisas.

Em 1964 iniciou-se a Ditadura Militar, que só teve seu fim em 1985. Tortura, morte, estupro, humilhação, repressão e manipulação midiática foram os elementos usados para fazer este estranho e infeliz bolo. Nós, brasileiros? Ainda estamos tentando engolir essa porcaria.

Neste novo período democrático, o Brasil foi às ruas em massa para tirar Collor do poder. Depois disso, não me lembro da população escondendo o asfalto sob seus pés, com as mãos para o alto e gritando palavras de ordem, em massa, por todo o país. Ao mesmo tempo, fomos pisoteados, cansados, enganados, esgotados e principalmente, despolitizados pela MÍDIA e outros GRUPOS DO PODER. Tudo o que nos ensinaram, diariamente, foi a odiar a política (coisa de ladrão) e detestar esse gênero de desgraçados e ladrões (os políticos), porque nenhum deles presta. Aliás, fomos catequizados tanto a não pensar em política, que ela (alvo de nossa inteligência emocional) não deve ser discutida, bem como a religião e o futebol.

Tantas frustrações durante longos anos teriam que, mais cedo ou mais tarde, sofrer um processo de catarse. Anos atrás, o Movimento Passe Livre começou, em várias cidades do país. Nas últimas semanas, foi surgindo em Porto Alegre, São Paulo e se espalhou pelo país, ganhando adesão de muitas pessoas mundo afora. Mas tanta repressão e tanta educação despolitizada, sem nenhuma civilidade, jamais vai acabar bem. O que podemos fazer? Lamentar os ocorridos, reconstruir o que pudermos, abrir canais de diálogo entre políticos, poderes e povo, incentivar a redemocratização das mídias (esse oligopólio que serviu  e estimulou ditaduras), reformular um projeto de política para o país e muito mais. Não sei, quero construir isto junto com você. Que tal?

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