14/06/2013

Aumento de R$0,20 na passagem obriga pobres de SP a pular refeição

O reajuste de R$ 0,20 no preço da tarifa dos transportes públicos na cidade de São Paulo obrigou o paulistano de baixa renda a deixar de fazer refeições e arranjar ‘bicos’ para conseguir pagar o novo valor das passagens


“Além de trabalhar como cuidadora 26 dias por mês, ainda chego em casa e preciso fazer bordados e crochê em panos de prato para complementar a renda”, afirmou Humbertina Lima da Silva, 47, nesta quarta-feira (12), na praça da Sé, região central da capital e que foi palco de um enfrentamento entre a polícia e manifestantes que pediam a redução das tarifas na noite de ontem (11).



Humbertina, que ganha pouco menos de R$ 1000 por mês, estima em R$ 50 o valor adicional gasto com transportes após o aumento da passagem. “Por isso os protestos pela redução são importantes”.

A estudante e auxiliar administrativa Caldineya Oliveira Santos, 23, afirma que deixou de se alimentar entre o almoço e a hora em que chega em casa da faculdade. “Almoço no trabalho, por volta do meio dia, e depois só como lá pelas 23h. Meu salário de R$ 900 não permite que eu pague R$ 3,20 no transporte e me alimente direito”, diz.

Para o gari Célio Ferreira, 35, o novo preço prejudica muito quem tem um orçamento limitado. “Deixo de comprar alimentos ou às vezes até mesmo uma garrafa de água”, afirmou. Segundo ele, que recebe R$ 800 por mês, o preço justo para o transporte público seria “no máximo R$ 1,50″. Após o reajuste na passagem, Célio passou a gastar R$ 26 a mais por mês.

O office boy Rodrigo Oliveira, 19, reclama que continua recebendo o vale transporte no valor de R$ 3. “Os outros R$ 0,20 eu tiro do meu bolso. Vira e mexe deixo de comer um lanche na rua, porque para quem ganha R$ 700 por mês, como eu, o aumento pesa no orçamento”.
Presos no protesto

Ao menos 20 pessoas foram presas durante o protesto na Avenida Paulista e na Rua da Consolação. Até a manhã desta quarta-feira, dia 12, 13 manifestantes continuavam presos acusados de crime de dano, lesão corporal, desacato à autoridade e formação de quadrilha, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

(Por Pragmatismo Político)

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