17/06/2013

Manifestantes do Passe Livre criam site para denunciar abusos

Manifestantes criam site para denunciar abusos em protestos em SP. Qualquer pessoa pode publicar textos, imagens, vídeo, links, citações e áudio dos protestos contra o aumento das tarifas de ônibus


Com a continuação dos confrontos durante os protestos contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo, um novo tumblr – site que permite aos usuários publicarem textos, imagens, vídeo, links, citações e áudio – foi criado por manifestantes com o objetivo de abrir espaço para relatos de abusos e agressões cometidas durante os atos na capital paulista. Por meio do site chamado de Feridos no protesto em SP, qualquer pessoa pode falar sobre as manifestações que terá o texto original no ar.

Em um dos relatos, uma estudante conta que estava observando a manifestação com um grupo de amigos na porta da universidade onde estuda quando foram atingidos pela polícia. “Eis que a cavalaria passa (lembrando que tudo isso se passou na porta da faculdade) e param cerca de 10 carros da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) há uns 10 metros da esquina da Piauí com a Consolação. Ali começou o caos. Comentei com as pessoas que eles iriam arremessar bombas na nossa direção e todos discordaram, dizendo que não tinha motivo pra isso. E não tinha. Eram menos de 30 estudantes na esquina só tirando foto, mas em questão de segundos, “booooom”!”, disse. Junto com o texto, ela postou uma foto onde mostra os ferimentos sofridos no braço por estilhaços de uma das bombas. “Na hora senti a dor, mas não parei de correr”, afirmou.

Em outro post, o texto intitulado de “Notícias de uma guerra muito suspeita” de Elcio Fonseca conta a dificuldade encontrada pelo autor ao tentar pegar o trem para voltar para casa após o trabalho. “Para minha surpresa, a estação estava fechada. Guardas me avisaram “volte até a estação Trianon/Masp, se quiser embarcar”. Achei um exagero, protestei, quando me volto para o lado esquerdo da Paulista e vejo pessoas vindo de mãos levantadas, fotógrafos com as câmeras suspensas, e, antes mesmo que pudesse me dar conta desse exagero, cerca de seis motocicletas irrompem pela nossa calçada, em velocidade e impetuosidade, atropelando pessoas, seguida de dezenas de cavalos, ao que todos, assustados e, alguns de nós, já em estado de pânico e estupor, encostam-se nas marquises. Quando fui protestar, os soldados da Policia Militar, com cassetetes batendo em seus escudos, foram nos empurrando, e, particularmente em mim, bateu com um cassetete nas costas, sem que eu pudesse pelo menos perguntar onde poderia tomar o Metrô. Uma truculência e humilhação a que não tinha presenciado nem nos momentos mais duros do regime militar”, comparou Fonseca.

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