23/08/2013

O #Gigante precisa descobrir Gandhi


As manifestações e protestos populares que ocorrem em todo o Brasil neste marcante ano de 2013, já entraram para nossa história. Nossos filhos e netos se debruçarão sobre isto para aprender e estudar cidadania e política.

Muitos analistas, de esquerda e direita, não gostaram dos protestos. Outros apoiam. Mas o que desejo trazer para este debate é que o tal "Gigante Adormecido" ainda precisa descobrir Gandhi e sua resistência da não-violência.


Gandhi desenvolveu e aplicou a teoria chamada Satyagraha durante o processo de independência da Índia. Sobre esta teoria, declarou:

"Eu descobri o satyagraha pela primeira vez no inicio da minha busca pela verdade que não admitia o uso da violência contra um adversário, pois o mesmo deve ser desarmado dos seus erros com paciência e compaixão." - Gandhi


Embora o termo Satyagraha tenha sido usado no Brasil como nome de uma operação da Polícia Federal, o importante é o que o mestre indiano nos deixou. Quando os brasileiros perceberem que numa sociedade nós não somos apenas vítimas reagentes de um sistema fadado ao fracasso, mas sim agentes da mudança e da sociedade que desejamos, deveremos utilizar o Satyagraha em nossas mobilizações.

Como? Algo essencial nesta filosofia desenvolvida por Gandhi é a não-violência e a não desistência da conquista da justiça e liberdade. Assim, procura-se meios inteligentes de atingir seus objetivos sem o uso de agressões.

Um clássico exemplo empreendido por Gandhi foi a Marcha do Sal. Diante da proibição, imposta aos indianos, da extração do sal pela Inglaterra, o Mahatma iniciou uma caminhada de 400 quilômetros, durante 25 dias, para extrair um punhado de sal com suas próprias mãos. Sem incitar nenhum tipo de violência, o mestre foi seguido por milhares de indianos.

"No dia 6 de abril, depois do banho, ritual sagrado para os hindus, Gandhi apanhou um punhado de sal à beira-mar, e seu gesto foi repetido simbolicamente pelos milhares de indianos ali presentes. Em resposta a esses atos, os britânicos prenderam mais de 50 mil indianos, entre eles o próprio Gandhi.
Mesmo com a prisão de Gandhi, a marcha continuou, em direção às salinas ao norte de Bombaim. Aproximaram-se em silêncio dos depósitos de sal, guardados por 400 policiais, que investiram contra eles com cassetetes. Os protestantes foram tombando, sem esboçar gestos de defesa. Cada coluna que avançava era igualmente abatida." - Wikipedia.

Neste momento você pode se perguntar, mas o que isso tem a ver com a independência da Índia? Leia o trecho abaixo publicado no dw.de :

A Marcha do Sal contagiou não só a Índia, mas comoveu a opinião pública de todo o mundo. O homem magro, de pequenos óculos redondos, pregador da resistência pacífica, conseguiu mobilizar uma grande ação de desobediência civil que levou, 17 anos mais tarde, à independência da Índia do colonialismo britânico, que havia se iniciado no século 18.
Sendo assim, podemos trazer a filosofia do Satyagraha para nossos dias e nossa realidade tupiniquim. Como? Por exemplo, se a prefeitura de nossa cidade sobe o IPTU para valores indevidos, podemos promover o não-pagamento deste imposto, em massa, até que o poder municipal (eleito numa democracia para atender aos interesses do público) reveja os valores e os atualize para algo que toda a sociedade concorde. Será um processo de amadurecimento político e democrático para toda a população.

O mesmo podemos pensar em termos de telefonia celular, por exemplo, visto que pagamos as mais altas taxas do mundo por um serviço questionável, planos de saúde, de TV paga e assim por diante. Nós, brasileiros, precisamos retomar em nossas mãos a verdadeira interação democrática e construir uma sociedade mais justa e igualitária, sem ferir ninguém, sem agressões e usando a política pacífica da não-resistência criada pelo grande mestre Gandhi. Pensemos e façamos juntos. Não há soluções prontas e definidas para o Brasil. Teremos que descobrir juntos.

0 comentários: