06/04/2017

Jarama: a homenagem do Boikot aos brigadistas irlandeses

Vale do Rio Jarama. Fevereiro de 1937. Um dos 350 brigadistas irlandeses que foi para a Espanha para lutar na Guerra Civil ao lado das tropas da República fala a um colega: “Quem se importa? Não há necessidade de temer o futuro ou lamentar o passado. Tudo o que temos a fazer é sermos honestos com nós mesmos.” E assim começa o mais recente clipe da banda punk Boikot, divulgado em 24/03.
Jarama é a mais recente marca da banda na disseminação da cultura política contemporânea espanhola e mundial que inclui, além do videoclip, um curta-metragem, dirigido por Alberto Pla (guitarrista e um dos vocalistas da banda),  que estreará nos próximos meses depois de sua exibição em festivais. 
Neste trabalho, a banda integrou a seu já conhecido hardcore pesado, a gaita, banjo, gaita de boca e o violino do folk irlandês, sons que os acompanharam em sua viagem pela Irlanda das Brigadas Internacionais, país escolhido para as filmagens. Cidades como Dublin e Belfast colocaram os membros do Boikot na pista dos monumentos memoriais e túmulos dos voluntários que embarcaram no prelúdio da Segunda Guerra Mundial. Jarama foi gravado nas trincheiras que ainda permanecem no vale do mesmo nome leste de Madrid.
“Estamos em fevereiro de 1937, sete meses após o levante militar. Depois de tentativas de alcançar Madrid por Franco falhou, agora a batalha está concentrada no Vale do Jarama. O Exército Republicano mantém e defende os ataques com a ajuda das Brigadas Internacionais. A guerra civil vai acabar com mais de 20.000 feridos, desaparecidos ou mortos, incluindo cerca de mil brigada de mais de 30 nacionalidades.”
O personagem, Juanan, é um trompetista que antes da guerra tocava em uma banda de jazz. Ele está agora lutando pela República e está na segunda linha da frente, nas trincheiras localizadas ao lado da estrada Valência, ao lado do Rio Jarama.
Com fome, frio e cheio de pulgas, o moral permanece alto. Eles ajudam as Brigadas Internacionais. Juanan se torna amigo de O’Connor e do poeta irlandês Charlie Donelly. À noite eles contam suas vidas, sobretudo depois que um morteiro atinge Juanan. Ferido, Juanan começa a ter visões estranhas e sua realidade não será a mesma”.
Todos os personagens são fictícios, mas dois: o próprio Charlie Donelly, uma figura histórica, poeta irlandês e ativista político, que na realmente morreu na Batalha de Jarama como um membro das Brigadas Internacionais. O’Connor foi seu amigo e que recuperou seu corpo no campo de batalha. Durante a coletiva de imprensa de apresentação de Jarama que se comentou vivamente sobre a participação da Brigada Irlandesa como baluartes do Exército Republicano na Puente del Jarama, pessoas que abnegadamente deram suas vidas por uma causa que não era da sua nação e cuja coragem e idealismo são reconhecidos nas muitas placas comemorativas que povoam Irlanda.
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Com este novo trabalho audiovisual, a banda veterana de 87, mais uma vez se envolve na recuperação da memória histórica, como fizeram em Lágrimas de Rabia (2012), quando eles resgataram em um documentário e um clipe as histórias de professores, poetas e escritores reprimidos pela ditadura de Franco.
Assista ao clipe oficial de Jarama
(Via Overlab, por Diego Pignones)

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