31/05/2017

Como treinar o cérebro para escutar melhor

Nosso cérebro pode ser desenvolvido para aprimorar o processo de escuta e tornar o processo de comunicação mais efetivo.

Você faria um curso de escutatória?
Calma! A pergunta pode soar um pouco esquisita, mas está tudo certo. A sugestão quem fez foi o renomado escritor Rubem Alves em uma das suas crônicas mais famosas. No texto, retirado do livro “O amor que acende a lua”, o autor provoca os leitores fazendo-os refletir sobre a imensa quantidade de cursos e materiais disponíveis na nossa sociedade relativos à retórica ou que ensinam a falar a em público, etc. Enquanto isso, “ninguém quer aprender a ouvir”, sentencia Rubem Alves.

De fato, desde a escola a fala é sempre incentivada, enquanto escutar, não. Perdemos a noção de balancear o que falamos com o que o nosso interlocutor tem a dizer. Em linhas gerais esquecemos que nos educar para a audição também é um exercício efetivo de comunicação.

E este não é apenas um aspecto de educação. À medida que exercitamos a nossa capacidade de escutar os outros, também estamos mobilizando outras habilidades como concentração, foco, atenção e memória. Se mergulharmos no assunto perceberemos que escutar nos dias atuais é uma prática cada vez mais desafiadora, considerando a quantidade de ruídos e de poluição sonora cada vez mais densa ao nosso redor.

Assim, longe de parecer apenas uma sugestão superficial de etiqueta recomendada para os ambientes que frequentamos, o assunto é, antes de qualquer outra coisa, uma questão de saúde levada a sério e pesquisada a fundo por especialistas da área, como é o caso do Treinamento Auditivo Musical (TAM).

O TAM foi baseado na tese de doutorado da Dra. Katya Freire, defendida na UNIFESP, em 2009. A ferramenta foi criada inicialmente para oferecer reabilitação a idosos usuários de próteses auditivas por meio de exercícios de treinamento auditivo dos aspectos de figura-fundo de sons instrumentais, de frequência e duração dos sons, escuta direcionada, ritmo, fechamento auditivo e memória.

“Na prática clínica é comum observar deficientes auditivos, usuários de próteses auditivas, com a queixa “escuto, mas não entendo”. Mesmo com uma boa indicação e adaptação das próteses auditivas, nem sempre é possível obter uma compreensão de fala satisfatória, principalmente em ambientes ruidosos, por isso, o Treinamento Auditivo Musical vem complementar o tratamento de reabilitação auditiva”, esclarece Katya Freire.

A tese deu origem a primeira edição do treinamento com 7 DVDs, que se esgotou em apenas um ano. Devido ao sucesso, criou-se a segunda edição, na versão 100% online, com o objetivo de ser ainda mais prática e acessível. A nova versão apresenta um visual mais moderno e didático, com exercícios mais desafiadores e randomizados, além de trazer novas músicas e arranjos musicais.

Desta maneira, o TAM consolidou-se como um importante instrumento para ajudar as pessoas com alterações das habilidades auditivas centrais, sejam elas portadoras de perdas auditivas ou com audição normal, usuários de próteses auditivas ou implante coclear. Pode ser realizado por crianças acima de 7 anos, adultos/idosos, profissionais da música, ou simplesmente por quem deseja aprimorar suas habilidades auditivas e treinar o cérebro a escutar.

A abordagem dinâmica do TAM, desenvolvido pela Dra. Katya Freire, procura exercitar habilidades auditivas diversas por meio de modernos recursos comprovados cientificamente, explorando aspectos da nossa capacidade de compreensão do universo que nos permeia. É uma ferramenta lúdica e prazerosa, que se utiliza de sons, música e imagens, para estimular várias áreas do cérebro, como auditivas, motoras e visuais.

O programa possui 8 tipos de exercícios, com mais de 1300 variações. E, como o cérebro só aprende e melhora com desafios e repetição, para cada exercício, existem níveis de dificuldade a serem treinados e superados.

O projeto, que já rendeu à Dra. Freire reconhecimento e prêmio de excelência na área, pode ser visto como um parceiro de peso para reverter o cenário em que o Brasil se encontra atualmente neste segmento de saúde pública. Conforme revelou o Censo de 2010 publicado pelo IBGE, no país são quase 10 milhões de pessoas que apresentam algum problema de audição. Mais assustador ainda é que desse número, um total de 2 milhões possui deficiência auditiva severa.

Se considerarmos que este é um aspecto geralmente deixado à margem das nossas preocupações, o Treinamento Auditivo Musical, trata-se de um material muito rico e valioso. Por essa razão, o seu fundamento original rompeu fronteiras e hoje encontra novos interessados. Para além das necessidades de quem realmente precisa do serviço por problemas de saúde, existem outros entusiastas que são atraídos pelo treinamento com o intuito de desenvolver a capacidade auditiva e potencializar as habilidades ligadas a ela como concentração e memória.

Um público formado por músicos, instrumentistas, arranjadores e artistas da voz em geral, vem demonstrando interesse no método. Grandes nomes do cenário musical brasileiro já experimentaram o TAM. O treinamento torna este tipo de profissional mais capacitado para lidar com o seu principal instrumento de trabalho, ao afinar a percepção dos mais diferentes sons e educar o ouvido para a distinção, nem sempre evidente, entre eles.

“O TAM é um treinamento de audição que amplia a capacidade de comunicação no geral, já que quem sabe ouvir ganha conhecimento para falar melhor”, ressalta Katya.

(Via Comunicação Conectada)

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