09/06/2017

#DepressãoComunica - caminhar lentamente


Em nossa caminhada, talvez a grande busca de nossas vidas seja descobrir "quem eu sou". Não só descobrir, tirar o véu, deixar cair as máscaras, mas permitir que este ser possa fluir completamente e corretamente de acordo com o que realmente somos.

Quanto mais caminhamos distraídos com os desejos alheios ou petrificados pelo medo de ser o que realmente somos, mais dificultamos o momento do encontro entre nós e nosso próprio ser. Cada encontro será único, assim como único é cada um de nós.

Dizer ou pensar que essa caminhada é fácil? Não é, esteja você doente ou saudável. Às vezes é a busca de uma vida inteira. Outras vezes, de muitas vidas.

O fato é: sinto em meu ser que enquanto eu não permitir esse encontro plenamente, não terei paz dentro de mim. E o mais estranho é que talvez este encontro já tenha acontecido ao longo da minha vida, em muitas ocasiões. Mesmo assim, preferimos sufocar "o que somos" para deixar fluir "o que outros acreditam que seja melhor".

É difícil assumir com certeza aquilo que somos. Nem sempre sabemos dizer ao certo "quem somos nós". Temos uma vaga ideia, lembranças, desejos, sentidos. Mas não há nenhuma placa ou manual que nos diga: chegaste, seja bem-vindo ao seu pleno ser.

Sei que ao longo de minha vida trilhei caminhos que outras pessoas me recomendaram ou mandaram ou... Agora, tanto faz. Conhecer e reconhecer o passado, sim; lamentá-lo, não. Porque não era para mim. Não era o que sou, ainda que me encontre confuso sobre meu ser.

Já disse o grande filósofo, conhece a ti mesmo, pois é essencial se conhecer para somente então deixar o seu ser fluir e viver de acordo com aquilo que és. Enquanto escrevo essas palavras, ouço em minha mente pessoas dizendo: mas isso é superficial, são truísmos fáceis de dizer e carentes de verdade e objetividade científica.

Sim, são vozes a tentar me afastar de minha superficialidade, daquilo que penso, sinto e sou. E vale explicar: a sua profundidade é sua, não minha. E essas vozes frequentam lábios alheios, mas outrora já frequentaram os meus.

Calma. Não estou a dizer que evolui e vocês, que hoje repetem o que eu já disse, ficaram para trás. Não há uma escala de pior ou melhor para o ser, já que somos únicos. Estou a dizer que mudei. Aliás, estou em profunda mudança, tão perdido quanto certo de que caminhar é possível e é preciso.

Dia após dia, milímetro após milímetro, me esforço feito um Hércules para me distanciar de uma profunda depressão que (é duro dizer) podia ter me levado para o outro lado da vida. É um passo por dia. Muitos dias sem nenhum. Tantos outros a caminhar para trás. Mas cada vez mais em meu caminho. As doenças talvez sejam o reequilíbrio da saúde.

Se durante tanto tempo impedimos nosso ser de fluir plenamente, talvez seja a hora de nos permitirmos. Sem nenhuma certeza de onde iremos chegar, mas com o firme desejo íntimo de continuar a caminhar. Sempre.

#DepressãoComunica: é uma nova coluna do #ComunicaTudo. Nela relato minha experiência pessoal com a doença (em tratamento), crescente no mundo todo e causadora de males inimagináveis. Quer falar sobre sua experiência? Mande-me email: marceloaugustodamico@gmail.com - precisamos falar sobre isso.

(Via Marcelo D'Amico)

 
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