23/06/2017

Disco mais elogiado de 2017: Melodrama - Lorde


David Bowie disse que Lorde era o futuro da música. A artista que hoje tem 20 anos lança seu segundo disco: Melodrama, simplesmente o disco pop mais elogiado do ano, sucesso de crítica e público. 

O ano era 2013. Chegava às lojas Pure Heroine, o primeiro álbum de Ella Marija Lani Yelich-O’Connor, ou Lorde. Foi sucesso de crítica e público e todo mundo sabia cantar “Royals” de cor e salteado, em todas as versões possíveis.

O segundo álbum da cantora era amplamente esperado. Afinal, segundos álbuns são complicados, é necessário manter-se familiar para concretizar seu lugar na música ao passo em que é necessário evoluir para ainda ser relevante na indústria.

Melodrama, lançado na última sexta-feira (16), é a prova de que Lorde não apenas compreende essa missão, como está também madura o suficiente para cumpri-la.

O álbum se mostra uma mistura competente de storytelling e pop, “Green Light”, a primeira faixa e também primeiro single a ser lançado, dá o tom do que vem a ser Melodrama. Um álbum que fala sobre uma noite de farra em que alguém se apaixona e começa a ter dúvidas sobre o que o ato de se apaixonar representa para uma noite de farra.


Esse talvez seja o maior indício de amadurecimento por parte da artista. Lorde canta sobre o amor, mas de um jeito cru, como se fosse algo abstrato demais para ser facilmente compreendido.

Essa abordagem mais intimista é bem-vinda e não é necessariamente original, mas Lorde foge do lugar comum. Faixas como a já citada “Green Light”, “Sober” e “Hard Feelings/Loveless” versam sobre a ideia de encontrar alguém espacial e bater de frente com a efemeridade das relações atuais. Afinal, vivemos numa “geração sem amor”, já diz “Hard Feelings/Loveless”.

É em “Hard Feelings/Loveless” que também há o maior grau de experimentação do álbum. Além dela, “The Louvre” e “Supercut” também apresentam algo diferente do que já foi apresentado por Lorde. Ambas tem um tom de balada romântica, principalmente com a crescente em “The Louvre”, que começa baixa, quase um sussurro, e vai aumentando, como se o eu lírico ganhasse consciência daquilo que canta.

Curiosamente, essas três faixas que mais experimentam são as mais importantes para a história que Melodrama conta. “The Louvre” conta uma relação que começa problemática, talvez obsessiva, mas que vale a pena viver e que talvez seja bonita o suficiente para ser exibida no museu do Louvre (“nos fundos do Louvre, mas quem se importa? É o Louvre”).

“Hard Feelings/Loveless” serve como a aceitação de relação problemática e “Supercut” é um sopro otimista que discorre sobre como o melhor a se fazer é prender-se apenas às partes boas de uma relação. Por “sopro otimista” entende-se aquele otimismo bem forçado, que você toma pra si só pra falar que está vivendo algo bom.


Cada um desses três momentos são alternados por faixas como “Liability”, “Sober II (Melodrama)”, “Writer in the Dark” e “Liability (Reprise)”. Estas servem como que para anular o progresso da história.

Lorde discorre nessas músicas sobre suas dúvidas acerca do que sente. Seja o que sente sobre si mesmo e o amor que recebe (e dá) em “Liability” e “Liability (Reprise)” ou sobre aquele que ama (e é amado) em “Sober II (Melodrama)” e “Writer in the Dark”.

Melodrama trabalha essa alternância de sentimentos com competência e justifica o nome que leva. Toda história melodramática é cercada por dúvidas, exageros, situações que beiram a infantilidade (o “fico obcecada com sua pontuação” de “The Louvre”).

Lorde trabalha esses elementos em suas músicas com cuidado e de forma sutil, condenando-os e ao mesmo tempo exaltando-os. Talvez seja essa a função de “Perfect Places”, música que fecha o álbum e versa sobre ira à “lugares perfeitos” para “viver e morrer na mesma noite”.

“Perfect Places” tem a intenção de mostrar que toda a história contada nas faixas anteriores tem um ar de ciclo vicioso. Em que após “Perfect Places”, você encerra a história contada até o momento e recebe o convite para a noite de curtição apresentada em “Green Light”.


E isso vai ao encontro da sonoridade entorpecente de Melodrama. Desde Pure Heroine, Lorde trabalha batidas anestésicas, que cantam sobre sentimentos e atitudes que beira (ou representa) o vício.

Essas metáforas dialogam perfeitamente com o que foi apresentado em Pure Heroine e mostram como Lorde evoluiu sua música, preservando sua identidade no processo.

Melodrama é a prova de que Lorde tem um excelente controle criativo do que produz, definindo quais caminhos quer ou não seguir daqui pra frente.

(Via Lucas Cabrero)

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