23/06/2017

Não se afaste, mas não me sufoque: qual é o limite?

Não se afaste, mas não me sufoque, eu digo. Você pergunta: mas onde fico, o que faço, qual é o limite? Difícil responder. Não há uma fórmula exata.

Enquanto humanos, estamos constantemente em movimentos visíveis e invisíveis. Caminhar e trabalhar são visíveis. Envelhecer e amadurecer são invisíveis. Mas tudo se move.

Preciso de espaço para me encontrar e sinto muito não saber detalhar quem sou. Penso que perdi porções de mim ao caminhar. Mas se preciso de espaço para crescer, também preciso de abraços para por os pés no chão. A medida de cada coisa não sei dizer.

Num dia preciso mais de espaço. No outro, mais abraços. E em quase todos não sei ou não sinto vontade de verbalizar. É uma merda, eu sei. Acredite: eu sei.

Um depressivo quase que exige um clarividente ao lado. É duro demais adquirir clarividência assim. Eu imagino. Mas creia que a mesma dureza se dá com a depressão.

O desequilíbrio não se instala somente no ser portador da doença. Todos ao redor adoecem, desequilibram, enlouquecem. Num dado instante nos vemos obrigados a desenvolver aptidões inimagináveis. Você procura entender que diabos acontece com uma pessoa que não quer se levantar ou passar um simples café. Enquanto eu procuro razões para não morrer, num primeiro momento. Depois, vou em busca do viver e do meu ser. Lentamente, num processo que leva meses, anos.

Mas se realmente posso pedir algo é: não diga que depressão é vagabundagem, malandragem, falta de sexo, de álcool, de Deus, de igreja, etc. Aliás, procure ouvir muito mais do que dizer.

- Ah. Mas você não fala.

Sei que falo pouco. Agora. Mas se você salpicar um pouco de compreensão em cada olhar, em cada abraço, posso ir recuperando aquilo que perdi. E nunca diga ou pense que depressão é frescura. É doença e como tal deve ser tratada. Não somos vítimas, nem carrascos. Nem somos doentes: apenas estamos doentes. Temporariamente. E não se afaste. Nem me sufoque. Por favor.

#DepressãoComunica: nova coluna do #ComunicaTudo. Nela, relato minha experiência pessoal com a doença (em tratamento), crescente no mundo todo e causadora de males inimagináveis. Quer falar sobre sua experiência? Mande-me email: marceloaugustodamico@gmail.com - precisamos falar sobre isso.

(Via Marcelo D'Amico)
 
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4 comentários:

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