06/06/2017

Por que a internet não nos leva de volta aos anos 60?


Os anos 60: referência histórica na cultura mundial como uma época de ebulição de ideias, de efervescência criativa. Os exemplos são tantos que é impossível citar todos. Mas não significa que outras épocas não foram significativas também.

Os computadores e a internet nos trouxeram à era da informação e do conhecimento. Comunicar-se hoje é realmente muito mais fácil. Estamos rodeados de 'sabedoria' como nunca estivemos na história humana. E temos fácil acesso em qualquer hora e qualquer lugar. 

Por esta facilidade aparentemente disponível, deveríamos viver criando novas teorias e pensamentos continuamente, por todos os lados e cantos. Poderíamos viver uma efervescência criativa semelhante à década de 1960. Posso estar errado, mas minha impressão é que, ao menos no Brasil, vivemos um aumento de conservadorismo, linchamento virtual e fanatismo político e social.

Mundo afora, manchetes como Mortes por 'overdose' de drogas aumentam na Europa e são já 700 por mês também preocupam. Não que na década de 60 não existisse overdose, mas o acesso a informação que temos hoje e a experiência de tempos passados poderiam evitar notícias assim: OMS registra aumento de casos de depressão em todo o mundo.

De algum modo, todas as facilidades que a tecnologia nos trouxe não estão evitando nossa parcial falência enquanto ser social e humano. As guerras ao redor do planeta ainda são muitas e as barbáries continuam: Sobreviventes do ataque químico na Síria: “Respirava-se morte”.

Em geral, quando circulamos pelas redes sociais, o que vemos é um amontoado de pessoas 'virtuais' ditando regras, comportamentos e pensamentos aos outros. Repetindo teorias, ideologias e religiões na velocidade da luz. Os algoritmos das redes e mídias sociais e do Google acabam privilegiando mais do mesmo: Como funcionam os algoritmos do Facebook, Twitter e Instagram

O objetivo destes, claro, é comercial, é capital. Num ambiente que tende à diversidade, como o mundo virtual, é melhor que se veja sempre mais do mesmo, que só cheguem até você ideias parecidas com as que você já têm. Assim, você permanecerá mais tempo usando estas redes sociais e expressando ideias e desejos para um grupo de pessoas que também já as possuem: você se sente em 'casa'.

O ser humano tende a se afastar dos elementos que lhe pedem alguma mudança, seja de pensamento, cultura ou ação. Ao menos num primeiro momento, nossa tendência é resistir para permanecer igual: Medo de mudança é comum, mas pode atrapalhar o desenvolvimento pessoal e profissional.

Temos hoje as mais fantásticas ferramentas para criação, muitas delas gratuitas, mas em pouco ou quase nada conseguimos superar os nossos antepassados: seja nas artes, na filosofia, na política. Mundo afora ainda vemos problemas básicos como fome, analfabetismo, desemprego, saneamento básico, saúde, genocídio e muitos outros acentuando-se em muitas regiões.

Parece-me que pouco aproveitamos da capacidade que temos de se readaptar e inventar e compartilhar novas soluções. Temos impressoras 3D, por exemplo. Transporte público é um problema? Poderíamos nos organizar e imprimir bicicletas. Sei lá. Está difícil lançar seu livro por uma grande editora? Por que não se reunir com outros e criar uma cooperativa?

É possível fazer a diferença: em mutirão, moradores constroem com R$ 5.000 ponte orçada em R$ 270 mil. Mas para isso teríamos que abandonar nossa egolatria, nosso egoísmo, para nos unirmos aos nossos semelhantes. Penso que esta seja nossa maior dificuldade.

Por que a internet não nos leva de volta aos anos 60, de volta para a efervescência criativa, para a ebulição de movimentos sociais dedicados a construir um mundo melhor? Por que é tão difícil compartilhar e ajudar e respeitar ao próximo? Posso estar errado novamente, mas penso que a descrença seja algo estimulado pelas mídias e pelo marketing, de modo geral. Descrentes, permanecemos com medo, isolados e compartilhando mais do mesmo. E isso tudo é apenas uma reflexão.

(Via Marcelo D'Amico)


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