Como o jornalismo independente se financia fora do eixo Rio-SP

Marco Zero Conteúdo, Livre.jor e Meus Sertões são três exemplos de conteúdo jornalístico fora do eixo Rio-SP O jornalismo independente ...

Marco Zero Conteúdo, Livre.jor e Meus Sertões são três exemplos de conteúdo jornalístico fora do eixo Rio-SP

O jornalismo independente tem ganhado força no Brasil por meio de diversas iniciativas que surgem com propostas distintas da grande mídia inclusive fora do eixo Rio-SP. Mas como essas organizações financiam seus projetos? Quais os modelos de negócios utilizados? Profissionais das iniciativas Marco Zero Conteúdo, Livre.jor e Meus Sertões falaram sobre seus planos de financiamento durante painel do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, evento realizado pela Abraji na última semana em São Paulo.

Três cases de jornalismo independente

Uma das idealizadoras da Marco Zero Conteúdo, Carol Monteiro explica que a iniciativa que nasceu há dois anos, no Recife, começou a ser planejada em 2014. “Antes mesmo de colocar o site no ar, realizamos pesquisa para levantar modelos de negócios que são utilizados por outras iniciativas brasileiras e internacionais. Assim, pudemos compreender o que era melhor para nós e que mais condizia com nossa realidade”, disse a jornalista.

A proposta do veículo é desenvolver reportagens aprofundadas, independentes e de interesse público, com foco em três pontos principais: semiárido nordestino, urbanismo e relações de poder. O site também abre espaço para a narrativa, publicando e incentivando “histórias bem contadas”.

Atualmente, o coletivo comandado por sete jornalistas se financia por meio de:
  • Serviço de curadoria de conteúdo;
  • Doações feitas por leitores;
  • Promoção de cursos;
  • Sistema de assinaturas que dá descontos especiais nos eventos promovidos pelo site, permitem a entrada do leitor em grupo fechado de discussões no Facebook e envia alguns conteúdos especiais antes da publicação oficial no portal.

Baseados nisso, o site lançou neste ano sua primeira campanha de financiamento, onde os próprios profissionais – que não se dedicam somente ao veículo – falam sobre os objetivos da iniciativa e a finalidade da arrecadação.

Além disso, o site está planejando parceria com instituto internacional que sustentará 20% da operação. Carol não revelou o nome do novo parceiro, mas afirmou que a Marco Zero Conteúdo foi procurada pela iniciativa que custeia operações jornalísticas independentes em diversos lugares do mundo, pelo trabalho investigativo que promove no Nordeste.

Livre.jor

Sem modelo de negócio definido, o Livre.jor foi fundado em Curitiba, em fevereiro de 2014, por quatro jornalistas que têm a missão de divulgar conteúdos de fontes como Diários Oficiais e dados extraídos de pesquisas feitas por meio da Lei de Acesso à Informação. Inicialmente, os profissionais – que assim como na iniciativa nordestina, não se dedicam somente ao projeto independente – bancaram todo o custo da operação.

Segundo o jornalista João Guilherme Frey, em 2016 foi a primeira vez que os responsáveis pelo projeto desenvolveram formato de negócio, apesar da informalidade no plano de financiamento. Assim, o site fechou parceria com o jornal Gazeta do Povo para produção de conteúdo especializado.

“Temos visão crítica da grande mídia, mas somos competitivos. O mercado exige qualidade de notícias, mas há dificuldade a achar quem pague por isso. O que o Livre.jor é hoje é muito mais pelas circunstâncias. Não temos um plano definido, mas se houver interessados no produto, teremos interesse em produzir”, declarou o profissional.

Meus Sertões

Criado pelo jornalista Paulo Oliveira, o Meus Sertões foi lançado em março de 2016 com objetivo de descobrir e contar com novo olhar histórias relacionadas às 1.133 cidades do semiárido brasileiro, região que compreende nove estados e tem cerca de 24 milhões de habitantes.

Oliveira afirma que a iniciativa jornalística mostra a realidade dos habitantes do sertão. “O jornais tradicionais, para mim, não têm mais função social. Por isso fui atrás de fazer meu site. Queremos mostrar um Brasil de você não vê. É um projeto de autoestima, de resgate da identidade baiana”, disse.

Apesar de não ter, ainda, planos de custeio para o Meus Sertões, como fundador do veículo, Oliveira reconhece que o desafio financeiro começa já na criação do site, com os gastos que envolvem questões desde onde e como hospedar o domínio, até pagar um profissional para desenvolver a marca da iniciativa.

Superado o momento de construção da plataforma, a segunda questão é a preocupação constante com a audiência. “Não posso contar com institutos investidores ou com financiamento do público, se meu site não está captando audiência”, pontua Oliveira. Por enquanto, o site é inteiramente custeado por seu fundador e pela equipe de seis profissionais que colaboram com as reportagens.

(Via Tácila Rubbo)

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