28/07/2017

Por que é tão difícil dialogar sobre nossas dificuldades e fraquezas?

Imaginava que ao iniciar esta coluna no Comunica Tudo, #DepressãoComunica, estaria em uma via de duas mãos: me expor para o bem de quem me quer bem ou me expor para o mal de quem me quer mal. E isso em condição de quem carrega consigo a sensibilidade que uma depressão traz consigo. Consciente disso, aceitei o desafio que eu mesmo me coloquei.

Não sei dizer ao certo se me assusta ou não o julgamento alheio. No passado incomodava, talvez pela imaturidade e insegurança de alguém que buscava seu espaço no mundo. Hoje parece não me importar.

Sei que ainda me encontro numa condição de sensibilidade grande. Atualmente, estou num período de grandes oscilações: tem dias que me sinto melhor e noutros, pior. E esse estado já é uma melhora incrível, se comparado ao estado anterior. 

Mas é interessante notar como algumas pessoas se posicionam após a publicação desta coluna. Algumas se afastaram como se fosse contagioso. Outras se reaproximaram. Outras ensaiam algumas palavras mas parecem não saber como proceder. É delicado, eu sei. Não julgo ninguém por isso. Apenas observo e penso. 

Penso no quanto somos desabilitados para o diálogo maduro. Embora vivamos na 'era da informação', informar aos outros sobre si mesmo não é simples. Ouvir, menos ainda. Estamos mais acostumados a simular uma alegria inexistente do que exatamente a admitir alguma fraqueza. Sintomas dos tempos que vivemos. 

Somos educados a trabalhar e ganhar dinheiro, a ter religiões, etc. Mas não somos educados a lidar com as emoções: as nossas e as alheias. Não sabemos o que fazer diante de alguém emocionalmente desequilibrado. Não sabemos ser contrariados em nossos sentimentos. Só aprendemos a competir constantemente e a conquistar, seja como for. Resultado? Desequilíbrio que tanto vemos por aí. Egoísmo, orgulho, sensação de impotência, tristeza, apatia: sentimentos não tão raros entre nós. 

Talvez ouvindo mais ao próximo, estando atento aos outros ao redor e trabalhando compreensão e compaixão, a gente consiga plantar um mundo melhor. E amanhã, quem sabe, estaremos colhendo o que plantamos. É um exercício. Podemos tentar e aprender juntos. Demonstrar seu lado humano admitindo alguma fraqueza pode ser, na verdade, um grande sinal de força. Um deficiente físico não tem escolha nesse sentido. Um deficiente emocional, sim. Silenciar nossas fraquezas e dificuldades pode ter como consequência notícias como recentemente aconteceu com o suicídio de Chester Charles Bennington. Somos humanos, demasiado humanos e estamos num mesmo barco chamado Terra.

#DepressãoComunica: coluna do #ComunicaTudo. Nela, relato minha experiência pessoal com a doença (em tratamento), crescente no mundo todo e causadora de males inimagináveis. Quer falar sobre sua experiência? Mande-me email: marceloaugustodamico@gmail.com - precisamos falar sobre isso.

(Via Marcelo D'Amico)


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