22/08/2017

Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a amar

Você ama o que uma pessoa realmente é ou o que projeta a respeito dela? A pergunta pode até soar descabida, mas existe aquele ser que realmente somos e muitas vezes um outro ser, projetado, idealizado para satisfazer o nosso próprio ego. 

Posso projetar, de mim para mim mesmo, aquilo que sou ou o que gostaria de ser. Posso ter uma autoimagem de uma pessoa forte e resistente, por exemplo, quando na verdade posso ser fraco e desistente. Nesse caso, mais cedo ou mais tarde, a desilusão chegará até mim, provocando um processo meio dolorido, conhecido como amadurecimento. Mas também posso projetar no outro meus anseios, idealizando o ser que eu gostaria de amar. Posso imaginar que o outro é forte e resistente, como quem busca satisfazer, ainda que inconscientemente, as próprias fraquezas. E nesse caso, também, a desilusão nos abraçará.

A mente é fantástica e capaz de criar quase ao infinito. Assim, ela também pode distorcer a imagem da pessoa amada, projetando nela suas expectativas, desejos, frustrações, experiências passadas. E isso pode acontecer por vários caminhos: ideias aprendidas, falta de inteligência emocional, desequilíbrios de várias ordens, etc. E claro, isso não me parece saudável.

Projetar ou idealizar o ser amado pode ser entendido como uma forma de distanciamento da realidade ou até mesmo uma tática inconsciente de não enfrentamento, de fuga do amadurecimento que, mais cedo ou mais tarde, fatalmente chegará. Como um processo contínuo, a vida parece sempre nos levar a este lugar nem sempre tão agradável que é o amadurecer, mas sempre um local necessário e vital para a nossa existência.

Há muitos modos de se distanciar de uma pessoa, além do óbvio que é fisicamente. Uma destas maneiras é projetando-se no outro. O amor realmente nos aproxima uns dos outros, mas o amor projetado ou idealizado, acaba nos afastando. Em sua mente, em sua alma, vibram o seu ser real, aquilo que você é, aquilo que você sente, pensa, faz. Mas ao receber de alguém um amor distorcido ou projetado, idealizado pelo outro sobre quem você é ou deveria ser, esse sentimento não encontra afinidade, não corresponde à realidade e, mais cedo ou mais tarde, a desilusão chegará.

Essa prática parece ser comum entre familiares, embora não se restrinja somente a estes. Com nossos pais, filhos, amigos, costumamos idealizar e projetar o ente ideal: o pai herói, a mãe heroína, o filho equilibrado e feliz, o amigo porto seguro. A criança, por imaturidade e falta de vivência e consciência, costuma ver em seus pais seres infalíveis (exceto nos casos de pais violentos, abusadores, etc). Ao crescer, começa a entender que seus progenitores são tão humanos quanto ela mesma e muitas vezes, esse processo no qual se retira o véu de nossos olhos, pode ser muito dolorido. Cada caso é um caso, cada pessoa é um ser diferente.

E projetando no outro o ente ou ser ideal e amando este ser projetado, você está fatalmente se distanciando do real, daquela pessoa que realmente sou. Se é difícil enxergar a si próprio, com clareza, equilíbrio e tranquilidade, imagine o quão difícil é enxergar ao outro.Não é uma tarefa tão simples, mas também não será irrealizável. É um processo que pode ser lento ou rápido e é impossível desenhar uma receita pronta, porque cada ser é único, imprevisível, com vivências únicas.

De qualquer modo, lembre-se: só se desilude quem um dia se iludiu. A pessoa real (que sou) precisa de seu amor (que é). E muito. Mas não posso me adequar ao que você projetou sobre mim, não posso satisfazer suas expectativas idealizadas sobre meu ser, pois assim estaria deixando meu verdadeiro ser de lado. E todas as vezes que fazemos isso, para nos adequarmos a algo que pensamos ser o amor, cairemos naquele caminho para o qual a vida sempre nos leva: o amadurecer. E se você projetou amor ou se adequou ao amor idealizado de alguém, não se sinta mal. A vida é um aprendizado. De alguma forma estamos aqui para isso: aprender a viver. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a amar.

(Via Marcelo D'Amico)


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2 comentários:

  1. Muitíssimo obrigado por esta obra prima, MAD! Queria ter lido há 4 dias. Ou até mais. rs
    Parabéns! Amo vc.

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  2. Eu que agradeço pelo carinho de sempre. Obrigado pelas palavras. Amo você, meu amigo. Abraços.

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