Crônica para Aldir Blanc, Flávio Migliaccio e outros grandes brasileiros

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Texto escrito por Fabio Nogueira, estudante de história e professor voluntário de pré vestibular comunitário.



A forte ligação entre a música e a história tem razão para não se desfazer. A 'Revolta dos Jangadeiros', por exemplo, foi um movimento anti-escravidão que desestruturou o sistema escravista brasileiro em 1881. Enquanto no mundo começava a política de emancipação dos negros, abolindo a escravidão, o Brasil continuava esta prática sub-humana.

Para melhor entendimento do que se passava no mundo, naquela ocasião, a Revolução Industrial estava dominando o mundo, a procura de mercado consumidor era necessária para a sua ampliação e a escravidão era o entrave para alcançar outros consumidores.

Além do olhar comercial, a escravidão africana tinha atingindo a desumanização. Não era mais normal escravizar para justificar a dominação. As potências mundiais da época começaram o processo de emancipação dos africanos nas Américas. O Brasil persistia a continuar com a prática e aos poucos surgia no país movimentos que buscavam, por via judiciárias ou desobediência civil, acabar com a escravidão.

Dentre estes movimentos, na via da desobediência civil, houve no estado do Ceará a 'Revolta dos Jangadeiros', onde um grupo de organização popular desafiou o sistema escravista brasileiro. A desobediência ao sistema foi liderada pelo pescador Francisco José do Nascimento, o que nos mostra o caráter popular desse movimento abolicionista.

Na música Mestre Sala dos Mares, de Aldir Blanc e João Bosco, há um trecho que diz: 
“O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu”

A Fúria do Dragão que era o Francisco José do Nascimento se assemelhava à luta de João Candido em outra revolta, a 'Revolta da Chibata'. Daí o grande sucesso desse duo de compositores brasileiros tão conhecidos.

Na manhã de segunda feira, dia 04 de maio de 2020, amanhecemos mais desguardados. A morte do grande letrista da MPB, Aldir Blanc, coautor da obra acima mencionada, nos deixou mais tristes. Aldir era o poeta da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, tendo como base o bairro de Vila Isabel. Talvez já tenhamos nos esbarrado pelas ruas da Vila e não tenha percebido que era ele, o poeta. Aldir Blanc era na dele, discreto.

Num momento tão crítico que passamos neste país, no qual temos um governo avesso a qualquer tipo de manifestação popular, letristas como Aldir Blanc são um sinal de resistência, assim como lutou contra a ditadura militar brasileira. Aldir nunca foi estrela, o estrelismo nunca lhe subiu à cabeça: era como a lua, em fases diferentes da carreira e, no entanto, estava firme, sempre presente e amado.

Na minha memória sempre estará presente canções dele com João Bosco, nas vozes de Elis Regina, Clara Nunes e Clementina de Jesus. Vai estar na minha memória as loiras da Coty, os amigos consoladores, o Brasil como nação colorida aos sons dos Uirapurus, das índias, onde o céu abraça a terra e deságua as magoas e esperanças na baía. O texto de hoje faz reverência também ao grande ator Flávio Migliaccio, que embalou a minha geração com a série Shazan, Xerife & Cia.

(Texto escrito por Fabio Nogueira, estudante de história e professor voluntário de pré vestibular comunitário.)


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