China: a nova rota da seda, de Mao a Jinping

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Texto escrito por Fabio Idalino Alves Nogueira e Gabriel Luiz Campos Dalpiaz.

 


A economia chinesa, começou em seus primórdios através da agricultura, artesanato e o comércio de peças feitas em bronze e ferro, isso nos anos 3.000 a. C., pois de fato não chega a ser surpreendente em relação à história da China, a qual foi uma das primeiras civilizações que surgiram, existindo desde 4.000 a. C.

Atualmente a economia chinesa é a segunda maior do mundo, possuindo um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 15 trilhões. A China só está atrás dos Estados Unidos (EUA), que possui um PIB próximo de US$ 29 trilhões. A economia do país chinês chegará a ser a maior do mundo antes de 2030, conforme o Centro de Pesquisa em Economia e Negócios (CEBR, sigla em inglês).

A sua economia é um reflexo do modelo de governo, através de seu partido político, o Partido Comunista Chinês (PCCh), com mais de 9 milhões de filiados, esteve na revolução chinesa, no ano de 1949, com a proclamação e a formação da República Popular da China (RPC). No qual se baseia nos ideais marxistas.

As reformas agrárias que deram início no ano de 1950, com incentivo do PCCh, foi redistribuir as terras a pequenos e médios camponeses e depois agrupá-los em cooperativas. Atualmente as terras agrícolas chinesas alimentam 19% da população mundial.

Na década de 70, na China, houve o encontro do presidente dos EUA, Richard Nixon, com o presidente chinês, Mao Tse-tung. Foi um momento importante em plena Guerra Fria para frear uma possível e especulativa terceira guerra mundial, no qual acabou promovendo uma negociação econômica, pois fecharam acordos em torno de fluxo comercial entre os países. Na década seguinte, anos 80, a China promoveu uma abertura em sua economia, promovendo adentrar o mercado estrangeiro e bancos em seu território.

Nos anos de 1980 à 2020, a China aumentou 51 vezes seu PIB e os EUA 8 vezes, o PIB per capta chinês aumentou 36 vezes e dos EUA 5 vezes. Isso mostra a potência econômica que a China vem se tornando.

Esses fatores fazem que alguns especialistas afirmem que a economia chinesa é capitalista, pois há um incentivo ao mercado externo. Uma economia capitalista está voltada ao livre comércio, sem a interferência do estado e o enriquecimento através da meritocracia, no qual todos podem conseguir cargos e trabalhos melhores através do próprio esforço, assim subindo de nível na pirâmide social. A economia socialista, ou conhecida como Comunismo, prega a equidade social e a melhor redistribuição de renda, no qual não há classes sociais, pois isso promoverá a não desigualdade social e criará oportunidades iguais a todos, no qual os trabalhadores e operários são os responsáveis pelo governo, havendo a centralização da economia pelo estado, além dos serviços de saúde e educação serem gratuitos.

Os especialistas chineses definem seu mercado e economia como o socialismo chinês, que dá abertura ao mercado privado, além de oferecer empréstimos e subsídios de energia a essas empresas (podendo ser as multinacionais), porém é necessário que haja um comitê (o PCCh) dentro da empresa para a organização e debates internos.

A população chinesa é de aproximadamente 1, 393 bilhão (2018, Banco Mundial), no qual desde de 2013, 93 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza (pessoas que viviam com menos de US$1,52 por dia) erradicando-a.

No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é levado em conta três fatores: renda, educação e saúde, e a sua nota é de 0 à 1, que é dividido em IDH baixo: países com IDH abaixo de 0,500; IDH médio: entre 0,501 e 0,799; IDH alto: entre 0,800 e 0,899; IDH muito alto: 0,900 acima. A China aparece atrás do Brasil, em 85º, com 0,761 (IDH alto), porém com o aumento de sua economia e de investimento em pesquisas na China, não será surpreendente eles passarem o Brasil e países próximos/acima na escala do IDH.

A China é a maior parceira comercial do Brasil, nos últimos anos a balança comercial está a favor do Brasil.

O agronegócio, a carne bovina, a avicultura, o aço e outros produtos da chamada Commodities são as pérolas brasileiras para chegarem ao território Chinês . O leitor talvez creia que a China seja dependente dos produtos brasileiros e por acaso os volumes de venda possam diminuir, e os chineses possam não achar outro parceiro comercial igual ao nosso.

A questão foi levantada porque nos últimos tempos, ministros e deputados da base do governo tem usado a China como base de seus ataques no campo político, ideológico e diplomático. Se depender desse desgoverno e seus ministros trapalhões, o acordo comercial da China vai afundar.

Talvez os leitores devem estar perguntando: “quer dizer que a China é dependente do Brasil para se abastecer?” A resposta não é simples assim. Países africanos estão fechando acordos bilaterais com o país asiático, bem diferente do Brasil. Esses acordos são espécies de troca-troca.

Sabemos que o continente africano é riquíssimo em recursos naturais, o solo é fértil e onde planta tudo cresce. Etiópia, Moçambique, Angola, Quênia e outros, firmaram parcerias bilionárias. São fabricas, mineradoras, agricultura , hidrelétricas é diamantes. Esses recursos os africanos tem em abundância . O preço do silêncio para que o governo não seja criticado é a moeda de troca desse acordo que de certa forma tem fortalecido o desenvolvimento desses países.

Fica a pergunta: seria isso uma nova forma de colonização? Isso só o tempo responderá.

A China mostra para o mundo que sem políticas de inclusão sociais, não há economia que se sustente por muitos séculos. A economia chinesa não cresceu da noite para o dia. Erraram e erraram muitas vezes. Foi preciso abrir a economia para mercado capitalistas e com tempo, passou a desenvolver característica própria de comércio mundial. Investiu na educação, nas infraestruturas dos portos, aeroportos, estradas e ferrovias. Na crise de 2008, enquanto o mundo estava desesperado contabilizando os prejuízos, o governo fortalecia os setores acima citados para se fortalecer. Uma lição para o Brasil.

Referências

CHINA: IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. Actualix. Acesso em: 12 jan. 2021. Disponível em: <https://pt.actualitix.com/pais/chn/china-indice-de-desenvolvimento-humano.php


FREIRE, Diego. Veja o ranking completo dos 189 países por IDH. CNN. São Paulo, 15 de dez. de 2020. Acesso em: 12 jan. 2021. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/12/15/veja-o-ranking-completo-de-todos-os-paises-por-idh


GARCÍA, Juan Gonzáles. Causas, evolución y perspectivas de la guerra comercial para China. Análisis Económico, vol. XXXV, núm. 89, mayo-agostode 2020, pp.91-116. Acesso em: 12 jan. 2021. Acesso em: 12 jan. 2021. Disponível em: < http://www.scielo.org.mx/pdf/ane/v35n89/2448-6655-ane-35-89-91.pdf


GEROMEL, Ricardo. O poder da China: O que você deve saber sobre o país que mais cresce em bilionários e unicórnios. Editora Gente, Caieiras – SP, outubro de 2019 


HERRERA, Rémy; LONG, Zhiming. O Enigma do Crescimento Chinês. Revista Pesquisa e Debate, v. 29, n. 1(53), p. 8-22, 2018. Acesso em: 12 jan. 2021. Disponível em: < file:///C:/Users/julio/Downloads/38266-106646-1-PB.pdf> 


SMINK, Veronica. A China é comunista ou capitalista?. BBC News Mundo. 1º de outubro de 2019. Acesso em: 12 jan. 2021. Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49877815>


Texto escrito por:

Fabio Idalino Alves Nogueira: Estudante/professor de História. Leciona em Pré vestibular comunitário

Gabriel Luiz Campos Dalpiaz Graduação: Educação Física - Licenciatura/Bacharelado da Universidade Unigran

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